Cromeleque Pós-Industrial (2023)
Instalação site-specific, Baía de Amora, Seixal, Portugal
Refugos de madeira industrial
300 × 600 × 600 cm
Cromeleque Pós-Industrial (2023)
Instalação site-specific, Baía de Amora, Seixal, Portugal
Refugos de madeira industrial
300 × 600 × 600 cm
Cromeleque Pós-Industrial é uma releitura da ideia de monumento megalítico, para confrontar as lógicas que hoje organizam a vida coletiva. A proposta nasceu da minha convivência com os territórios pós-industriais da Margem Sul, marcados por desativação, ruínas e obsolescência, e da minha vivência com os cromeleques de Portugal, em particular no Alentejo.
Substituo a pedra ancestral por madeira industrial descartada e proponho uma inversão de sentidos: o monumento, em vez de sustentar uma promessa de permanência, assume a instabilidade e a fragilidade como condição, trazendo ao centro aquilo que normalmente é tratado como resto. Interessa-me a dimensão de veneração e espiritualidade dos cromeleques, não como reconstituição histórica, mas como operação simbólica. Se antes essas estruturas organizavam um culto à natureza e às divindades, no meu trabalho esse gesto é reorientado metaforicamente para o que hoje ocupa o lugar do sagrado no imaginário social: consumo, capital e poder.